Lelê de Canjiquinha

Meu irmão Junior veio me visitar no feriadão de 15 de novembro, junto com sua esposa e filha.
Todos gostamos muito de cozinhar. Esse irmão, inclusive, fez curso de culinária no SENAC.
Então, nada mais natural para nós, do que fazermos uma programação culinária que, na maioria das vezes, não é cumprida.
Moramos em cidades diferentes atualmente e como eu já disse em varias oportunidades, metade da família é nordestina e metade é fluminense/carioca.
Por isso, receitas nordestinas são uma constante em nossa mesa e, também pelo mesmo motivo, na bagagem de meu irmão veio um pacote de canjiquinha e outro de tapioca, que não chegaram a ser abertos, rsrsrs.
Aliás, ele comprou por aqui mesmo, mas por razões que não cheguei a contar para ele, não costumo mais comprar estes produtos.
Minha filhota, por razões muito especiais, não come nem um produto, nem o outro. Para entender melhor seus motivos leia (infelizmente ela exclui seu blog): “Eu, a canjiquinha e o…”
Amei matar a saudades destes produtos e receitas. Só precisei fazer metade de cada receita porque são muito calóricas e só eu comeria das duas.
A aversão da minha filha por canjiquinha aconteceu com uma versão salgada, mas o piripaque que ela sofreu foi forte demais. E o jeito é respeitar, né?
Enfim, aqui está a receita de lelê, que minha avó Anaide costumava fazer em alguns fins de semana.
Algumas vezes ela escolhia um ingrediente e preparava varias receitas diferentes no sábado.
Quando ela escolhia subprodutos do milho, fubá e quirera (canjiquinha) fazia angu de corte doce, salgado e angu de caroço, polenta doce e salgada, que no Rio é conhecida como angu do Gomes e na Bahia pode se aproximar do sarapatel (apesar de minha vó nunca fazer molho de miúdos de boi ou de porco, no máximo fazia um refogadinho de carne moída), canjiquinha doce (lelê ou muxá) e canjiquinha salgada, com músculo.
Como podem ver, tinha para todos os paladares. Vovó e tia Teka (a filha que morava com ela) costumavam preparar pratos de acordo com os variados gostos da casa.
E como eram variados!!!!!!!!Mesmo!!!!!!!!

E ai vai a minha receita.
Para ver outras receitas com sobremesas, cuscuz e gelatinas acesse oÍndice 6.

Ingredientes:

– 500 g de quirera (canjiquinha);
– 700 ml de leite;
– 200 ml de leite de coco;
– 300 g de coco seco ralado;
– 1 1/2 xícaras (das de chá) de açúcar;
– 10 a 12 cravos da India;
– 2 colheres (das de sopa) de margarina ou manteiga;
– 1 colher (das de chá) de sal.

Lave a canjiquinha e deixe de molho, coberta com bastante água, por 12 h.
Coloque em panela de pressão e cozinhe por 15′, contados a partir do inicio da fervura (do chiado), junto com os cravos e o açúcar.
Retire os cravos, escorra a água e passe para uma outra panela.

Coloque os ingredientes restantes na panela e leve ao fogo, mexendo sempre, até começar a aparecer o fundo da panela.
Passe para uma forma ou para um pote com tampa.
Não precisa untar, porque o lelê, ao esfriar, vai retrair na forma, soltando fácil das laterais.
Deixe esfriar e guarde em geladeira.

Você pode colocar em potes com tampa depois de frios e cortados.
Gosto de guardar em potes com tampa para que não ressequem e nem peguem sabor ou odor de outros alimentos guardados na geladeira.

Muitos não fazem o pré cozimento em panela de pressão, antes de acrescentarem o leite e os ingredientes restantes.
Mas a canjiquinha fica all dente e eu gosto dela bem cozida e macia.
Então, faça das duas formas e escolha a que mais agrada.

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